Com mais de 7.000 km de litoral e uma matriz de transporte historicamente concentrada no rodoviário, o Brasil tem na cabotagem uma alternativa subutilizada. A pergunta prática é: em quais fluxos ela realmente compensa?
1. Custo total, não preço de frete
A comparação honesta soma coleta na origem, transporte até o porto, frete marítimo, taxas portuárias e entrega no destino. Frete marítimo isolado parece imbatível; custo porta a porta é o número que decide. Em percursos acima de cerca de 1.000 km, a conta costuma favorecer a cabotagem.
2. Prazo total e previsibilidade
A cabotagem tende a ter transit time maior, mas com variabilidade menor: as janelas de navegação são regulares e não sofrem com trânsito, bloqueios ou restrição de circulação. Para reposição planejada, previsibilidade vale mais do que velocidade.
3. Estoque em trânsito
Prazo maior significa mais capital parado em trânsito. Esse custo financeiro precisa entrar na conta — e é ele que costuma inviabilizar a cabotagem em produtos de altíssimo valor agregado e giro rápido.
4. Emissões e agenda ESG
Por tonelada transportada, a cabotagem emite significativamente menos CO₂ que o rodoviário de longa distância. Para empresas com metas de redução declaradas, a migração modal é uma das medidas de maior efeito e menor esforço interno.
- Fluxos recorrentes Sul/Sudeste ↔ Norte/Nordeste: forte candidato à cabotagem.
- Cargas de importação que chegam a Santos com destino a outras regiões: integração direta.
- Entregas urgentes e distâncias curtas: rodoviário continua mais adequado.
A SEF Comex monta o comparativo com os dados reais da sua operação e, quando a cabotagem faz sentido, executa o fluxo porta a porta integrado ao desembaraço.
